ARTAUD, LE MÔMO _ Crítica de Guillaume d’Azémar de Fabrègues

Artaud, le Mômo – Théâtre de Nesle

por Guillaume d’Azémar de Fabrègues

16 de novembro de 2017.

No Théâtre de Nesle, Maura Baiocchi, dança e encena a vida alucinada de Antonin Artaud, o homem que levou a arte e o teatro ao delírio. Eu me deixei levar por sua performance, foi um momento grandioso e lindo.

Antonin Artaud, nascido em 4 de setembro de 1896, foi um homem de teatro, ele tentou transformá-lo, e, indubitavelmente, está na origem de numerosas criações. Ele viveu, viajou, sob a influência de drogas, foi internado por nove anos em Rodez. Ele escreveu, encenou, influenciou fortemente pessoas como Jean-Louis Barrault. A lista de seus amigos é o mundo da arte dos anos 1920 a 1948. Fora da guerra e do hospital psiquiátrico, em 13 de janeiro de 1947, ele dará no Théâtre du Vieux Colombier uma conferência única, a última vez em que esteve em cima de um palco. Maura Baiocchi nos fará viver essa vida, a luta de Antonin Artaud, seus combates, sua vontade.

A peça começa no fundo da plateia. Não. Ela começa com sons surdos atrás da porta da sala, e Maura Baiocchi entra, já encarnando o Antonin Artaud que ignora todas as convenções, todas as restrições, o Antonin Artaud livre, e ela permanecerá bastante tempo na área da plateia.

De repente, eu me viro, é estranho, um bom terço do público permanece virada para o palco, como que esperando por um ator clássico, parado no centro da cena. Há o cavalheiro que adormece, aquele que se pergunta um pouco o que ele faz lá, a senhora que está fascinada …

Continua a jornada, a de Artaud, a nossa. Maura Baiocchi é brasileira, seu texto está escrito em um caderno que é parte da encenação, ela se apega a ele, escreve nele, usa o para extinguir um comprido cigarro com cheiro bizarro (tenha certeza, mesmo que evoca substâncias alucinantes, trata-se de eucalipto).

A peça segue o fio da vida de Artaud, que segue o fio do tempo. Aqui estamos na América do Sul, entre os Incas (não os astecas, a frase soava estranha com o sotaque brasileiro), Artaud é habitado por sua pesquisa, Maura é habitada por Artaud. E então o tempo das drogas, as visões, o universo que se torna flexível, acima do solo. Então, o tempo de internação, outras drogas, os eletrochoques. Maura me levou a bordo, eu voo com Artaud, sofro com ele. As palavras desaparecem, a sequência é dançada, a música lacinante.

Eu olho para os espectadores, Maura Baiocchi levou todos a bordo, incluindo aquele que dormiu, aquele que se perguntou o que ele estava fazendo lá, eles agora estão atentos, hipnotizados.

Chega o momento do discurso, no Teatro Vieux Colombier, aquele que subjugou a elite da arte que saiu capturada, silenciosa. As paginas voam.

A sala aplaude, resta a seqüência final, a doença devora, vence, o corpo de Artaud se aperta, definha, a onda o carrega. Artaud está morto.

A peça durou quase duas horas, Maura Baiocchi não saiu de cena, admiro a força do jogo, da dança, da encenação refinada, a serviço do propósito. A secura, a tensão. Eu participei da vida de Artaud, de sua liberdade, suas drogas, dos eletrochoques.

Bravo. Fui capturado. Afetado. Pela proposta. Por Maura Baiocchi, sua dança. Pelo grandioso jogo.

(Tradução de Wolfgang Pannek)

 

Artaud, Le Mômo _ (Texto original em francês)

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